Covabra

Mulher de 35 anos morre após cirurgia de hérnia de disco

 27/1/2012

  


Ironia do destino, a cozinheira da Santa Casa de Misericórdia da cidade de Santa Cruz das Palmeiras, Givanilda Cristina Francisco, 39, que residia com a família na rua Liciana Mendes, no bairro de Duílio Posse, em Santa Cruz das Palmeiras veio a óbito na Santa Casa de Misericórdia de Pirassununga as 10h00 da manhã de quinta-feira, 26, depois de passar por uma cirurgia na coluna.

No final da tarde de terça-feira, 24, a cozinheira Givanilda por encaminhamento médico através de seu Plano de Saúde foi internada na Santa Casa de Misericórdia de Pirassununga, a fim de passar por uma cirurgia de hérnia de disco. Assim que internada, a paciente passou pelos procedimentos médicos para que na manha seguinte fosse cirurgiada.

As 07h00 da manhã de quarta-feira, 25, a cozinheira foi encaminhada ao Centro Cirúrgico, deixando o local por volta das 10h00, tendo como cirurgião, o Dr. Frank conforme registro no boletim de ocorrência elaborado as 12h02 pelo delegado de polícia João Pinheiro Neto.

Após o término da cirurgia, de acordo com os registros no boletim de ocorrência, a paciente já em seu quarto começou a reclamar de fortes dores abdominais, tendo sido mantido contato com o médico que a assistiu, tendo este alegado serem normal aquele quadro, afirmando que a dor era decorrente de gazes, prescrevendo então, aplicação de medicamentos para conterem a dor. Todavia, as dores eram mais intensas, observando-se inclusive seu abdômen inchado.

Ainda, segundo o boletim de ocorrência, o médico plantonista foi acionado, tendo este examinado à vítima, e de acordo com o registrado, constatado a existência de vazamento sanguíneo interno, possivelmente causado por um rompimento de alguma veia arterial, encaminhando a paciente para a UTI.

Diz no boletim de ocorrência, cientificado do quadro clínico, o médico Dr. Frank informou que seria necessária a realização de uma transfusão de sangue, isso por conta da veia rompida, o que feito, e informando à família que dependendo da reação da vítima à transfusão, seria feita uma nova cirurgia para o estancamento do sangue, o que não poderia ser feito naquele momento, pois havia risco de morte.

A família foi informada pelo médico por volta das 10 horas da manhã de quinta-feira, 26, que a paciente não resistiu e veio a falecer.

Prontuário

Como o caso foi registrado como morte suspeita, os familiares da vítima queriam que a Polícia fizesse os procedimentos, enviando o corpo para o Instituto Médico Legal, para poder então ser constatada a real causa da morte.

Familiares se dirigiram para a Santa Casa de Misericórdia onde solicitaram a entrega do Prontuário, porem, a administração da Santa Casa negou o pedido. Familiares retornaram ao 1º DP comunicando a decisão do hospital em não fornecer o Prontuário. Como o médico legista, somente aceitaria realizar a necropsia com o Prontuário da paciente, por Ofício o delegado João Pinheiro Neto se dirigiu ao Hospital, solicitando o prontuário, fato este negado.

Diante a negativa, Pinheiro Neto oficiou a Justiça, solicitando junto à 2ª Vara Criminal de Pirassununga que terminasse a liberação do referido Prontuário, o que foi acatado e determinado pela Justiça, isto já por volta das 16h45 da tarde de quinta-feira, 26, quando finalmente o corpo foi levado para o Instituto Médico Legal de Limeira.

Revolta e indignação

Revoltado e indignado pela morte da irmã, o eletricista Adriano Aparecido Francisco, 31, morador no jardim Ada Dedine Ometto falou com nossa reportagem sobre o ocorrido.

Redação – Como tudo aconteceu ?

Adriano Aparecido Francisco “Ela entrou na Santa Casa na terça-feira, 24, para fazer uma cirurgia de hérnia de disco aos cuidados do Dr. Frank. Ela chegou à Santa Casa a partir das cinco horas da tarde e até então, já foi ministrados os medicamentos para a cirurgia. A cirurgia foi efetuada na quarta-feira, 25, às sete horas da manhã e se estendeu até as dez horas, onde ela já saiu apresentando dores abdominais. Assim que ela voltou da anestesia, ela reclamou de muita dor abdominal e ela não conseguia comer, não conseguia dormir, ela tinha dificuldade de falar, de respirar. Ao contatar o médico ele disse que isso era normal, que era uma reação normal pós cirurgia e com a questão da dor abdominal eram apenas gazes, ele medicou para gazes, certo! Só que o quadro foi se agravando de lá para cá, cada vez mais dor, o inchaço foi aumentando cada vez mais, e pela madrugada, o médico de plantão constatou que na verdade, o que o Doutor dizia serem gazes, era uma veia artéria rompida no organismo dela. Houve um vazamento sanguíneo muito intenso, ao ponto de eles entrarem com uma transfusão e ela transferida para o CTI e pela manha. Ao tentar falar com ele, ele se negou a princípio falar com a gente, e após a insistência ele falou e disse que não tinha mais nada para fazer. Que ele não poderia operar ela, que aquela situação não deixava operar, a gente pediu então a transferência dela para outro hospital, ele disse que mesmo com uma UTI Móvel, e o médico acompanhando ela não suportaria essa transferência. Disse que não tinha nada para fazer mais, que a gente poderia fazer agora era rezar para que tudo desse certo, e quando foram dez horas da manha, ele chamou a gente novamente e disse que ela havia falecido. Foi isso que aconteceu, a gente esta aqui até agora, são quase cinco horas da tarde, ela faleceu as dez. A gente precisou de ordem Judicial para conseguir o laudo, os exames dela, para conseguir o Prontuário Médico, eles não quiseram fornecer pra gente até agora. Agora que liberaram o corpo, precisou vim delegado, precisou vim polícia, precisou vir imprensa, precisou chamar todo mundo para conseguir um Prontuário Médico que até agora não foi passado pra gente. Precisou o delegado vim para passar ao agente funerário, então agente não sabe nem porque que ela faleceu. A gente vai mover uma ação agora, já estamos dando andamento, já entramos com a documentação contra o Hospital e contra o Dr. Frank”.

Da Redação – A família solicitou a realização da necropsia.

Adriano Aparecido Francisco – “Sim, acabamos de entrar com o pedido ao delegado, o Dr. João, que eu posso dizer e agradecer que foi de pronto atendimento, ele atendeu a gente, foi muito solícito, veio até o Juiz, conseguiu a documentação necessária, porque o Hospital se negava a fornecer e agora ela esta sendo encaminhada para o IML, o que também causou transtorno para a gente, porque se eles tivessem fornecido a documentação à gente conseguia velar o corpo hoje, não vai mais, vai só amanha, porque esta indo agora para o IML”.

Da Redação – Onde trabalhava de morava dona Givanilda.

Adriano Aparecido Francisco – “Isso mesmo, 39 anos, cheia de vida, filhos, marido, difícil”.

Da Redação – Quando ela saiu de casa, dona Givanilda estava bem.

Adriano Aparecido Francisco – “Sim, ela saiu em perfeito estado, inclusive o médico, em conversa pessoal com a gente ele garantiu que se tratava de uma cirurgia muito simples que ele fazia diariamente e que a gente não precisava se preocupar com nenhum tipo de contratempo. Então, o que a gente quer a gente não esta, vamos assim, a gente não esta apontando ninguém como acusado, mas a gente vai querer que a Justiça seja feita e se for essa a situação, que ele paga por ter tirado a vida de uma dona de família”.

Da Redação – Ela era casada e tinha filhos.

Adriano Aparecido Francisco – “Tinha três filhos, que agora vão ficar aí, com o pai, difícil. Tem um de 21 anos, uma menina de 17 e outra de 13”.

Da Redação – A família está sem beira, sem saber o que fazer.

Adriano Aparecido Francisco – “Sem saber o que fazer como te falei a gente esta aqui desde cedo e agora que a gente conseguiu a liberação do corpo é muita burocracia”.

Da Redação – Onde trabalhava dona Givanilda na cidade de Santa Cruz das Palmeiras.

Adriano Aparecido Francisco – “Ela trabalhava na Santa Casa de Palmeiras, ironia do destino, era para estar em casa com a gente agora”.

Da Redação – Porque ela resolveu fazer a cirurgia na Santa Casa de Pirassununga.

Adriano Aparecido Francisco – “Porque ela tem um Plano de Saúde e este Plano de Saúde encaminha seus pacientes para determinados especialistas e, segundo o Plano ele era especialista e procurado por nós, ele também disse ser um especialista da área, então a gente confiou, ele garantiu para nós que seria uma cirurgia muito tranquila. Agora fica a dúvida, como que rompeu uma artéria de uma paciente que ia operar da coluna, então foi o motivo que a gente levantou suspeita, ouve muita demora, se ela reclamou de dores, das causas que ela estava tendo desde ontem (quarta-feira, dia da cirurgia), por volta da uma hora da tarde, porque só hoje foi constatada a gravidade da situação, porque eles se negaram tanto há dar informação para a família, a gente teve que, quase de agir de força para conseguir uma informação. Então isso tudo eles vão esclarecer em Lei. E vai ser esclarecido ai, dentro de alguns dias”.

Delegado João Pinheiro Neto recorrer da Justiça para obter o Prontuário Médico

A família de Givanilda agradeceu o empenho, a dedicação, o profissionalismo do delegado João Pinheiro Neto e pediu para que nossa reportagem passasse os agradecimentos ao delegado. Por sinal, este delegado, desde sua chegada em Pirassununga demonstrou e continua a casa dia que passa demonstrando o alto grau de profissionalismo, sabendo separar, críticas, elogios, amizade e trabalho, sempre atendendo a população de forma igual independente de classe social e credo.

João Pinheiro Neto
–“Eu agradeço, entendo a posição da família, mas a gente apenas cumpre nosso papel, fomos procurados no final da manhã pelo irmão da vítima que noticiou o quadro clínico, que ela esteve internada e depois de uma cirurgia veio a óbito na manha de hoje. A família questionou algumas condutas médicas que não sou EU, não é qualquer outro delegado que vai dizer que esta certo ou errado porque não temos conhecimento técnico nisso. A função da Polícia neste momento é apenas de tomar as medidas necessárias para se apurar, então após a lavratura do boletim de ocorrência, EU requisitei o Exame Necroscópico no corpo, o que foi feito na cidade de Limeira. Mas, para viabilizar o trabalho do médico legista ele precisa entender o contexto, o quadro clínico que essa paciente apresentava. Então, a medicação que foi prescrita, tudo isso para ver se ouve alguma relação com o efeito morte e principalmente qual foi à morte, para só daí então, a gente dizer que há responsabilidade a ser apurada. Por enquanto há um fato que esta sob análises, sob investigação e nós vamos aguardar um parecer técnico para tomar alguma medida ou não. O comportamento da Santa Casa, isso há que ser frisado, não vejo como totalmente errado, eles tem as rotinas, eles também observam diversos regulamentos dos Conselhos Médicos. Então acaba chegando num impasse que às vezes você tem duas normas contrárias, uma que manda você fazer alguma coisa e outra fala que você não pode fazer. Nesse caso, quando a gente chama de colidência de normas, deve sempre prevalecer a mais importante, aquelas hierarquiquamente superior. Então em que pese algumas orientações de Conselhos de classe e até regimentos interno de vedar a entrega de documentação, de prontuário, de demais laudos à família ou às vezes em alguns casos, ao próprio interessado, ao próprio paciente às vezes isso acontece. No nosso caso. No caso de hoje, como existe investigação, isso acaba tomando outro vulto, então requisitei esses documentos para que o Exame Necroscópico pudesse ser melhor realizado. Sem esses documentos, o médico legista não teria condições de fazer um trabalho técnico tão apurado como vai ser feito. Então Eu precisava que a Santa Casa entregasse esses documentos hoje e, aí, diante uma negativa Eu entrei com uma Medida Judicial que achei cabível a partir do momento que não houve atendimento de minha requisição, Eu levei ao conhecimento do Judiciário, da 2ª Vara, Dra. Renata, através de uma representação e com o parecer favorável do Ministério Público, a Dra. Renata entendeu por bem conceder essa ordem a entrega do Prontuário para que acompanhasse o corpo até o IML”.

Da Redação – Isto foi feito no final da tarde!

João Pinheiro Neto –“ Infelizmente acabou tomando quase o dia todo por conta da burocracia, mas nós conseguimos hoje, já, ouve aí um lapso de tempo, em que a dor da família não vai ser reparada de forma alguma neste momento, principalmente quando surgem estes imprevistos, esses infortúnios se podem, se não pode, o que faz o que não faz, mas, pelo menos agora foi feito, o exame vai ser feito com a competência do legista do nosso IML de Limeira, e partir dos documentos ele vai poder dar um diagnóstico, dar um Laudo preciso, mais completo do que aconteceu e tomara a Deus que não tenhamos responsabilidades a apurar, se houver iremos fazê-lo também porque é nossa obrigação”.

Diretor Técnico não localizado

Nossa reportagem, depois de conversar com a família, na porta da Santa Casa, isto já por volta das 17 horas de quinta-feira, 26, se dirigiu até a recepção do Hospital, quando solicitamos na recepção um contato com o diretor técnico, o médico Sérgio Carvalho para falar do assunto.

De acordo com o homem que se encontrava na recepção, o profissional não se encontrava no local, quando então deixamos nosso telefone na recepção, a fim de solicitar para que o médico responsável pela direção técnica da Santa Casa no retornasse a ligação, a qual não foi feita.

O médico Sérgio Carvalho falou com a equipe de reportagem da EPTV Central falando do caso, e desta maneira se manifestou dizendo que ocorreu uma fatalidade; “toda cirurgia existe um risco inerente ao ato cirúrgico, no momento em que ouve o sangramento ela foi encaminhada para a UTI, agora vai ser a comissão de verificação de óbito que verifica, e se houver algum indício de irregularidade ela é encaminhada para a Comissão de Ética Médica".

Sempre pautando pela verdade, o www.reporternaressi.com.br acompanhará a mais este caso, como sempre, ouvindo as partes envolvidas. Não conseguimos contato com o médico mencionado na matéria, porem, ainda durante o dia de hoje voltaremos a tentar novos contatos, a fim de que possa se posicionar sobre o caso.

Na manha desta sexta-feira, 27, deixamos recado ao médico com sua secretária para que o mesmo entrasse em contato com nossa redação para dar seu parecer técnico do caso, sendo que até o presente não retornou a ligação.

Ao médico esta a disposição o espaço para se manifestar, através do Canal do Ouvinte deste portal.
 

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